Dominicanas de Monteils refletem sobre Governança na XVIII Assembleia da CODALC

A XVIII Assembleia da CODALC (Conferência de Dominicanas da América Latina e do Caribe), realizada de 03 a 10 de fevereiro de 2026, na Casa de Encontro das Irmãs Paulinas, em São Paulo/SP, contou com a participação de três Religiosas da Província Nossa Senhora do Rosário: Irmã Aparecida de Souza Lopes – Priora Geral da Congregação das Irmãs Dominicanas de Monteils, Irmã Doraildes da Silva Matos – Priora Provincial, e Irmã Maria Irenilda Gomes Pitombeira.

O evento foi marcado pela reflexão do tema “Boa Governança: Liderança e a Busca da Verdade”, conduzido pela Irmã Margaret Mayce, coordenadora da Confederação Internacional das Irmãs Dominicanas (DSIC). A reflexão sobre Boa Governança mostrou-se essencial para a vida e missão das Congregações. O tema ajudou as participantes a reconhecerem aspectos positivos de sua prática de liderança, mas também a identificarem fragilidades que precisam ser revistas à luz do Evangelho. Segundo Irmã Margaret, o ponto central da boa governança é viver e agir na verdade, sempre diante de Deus.

“Fomos convidadas a olhar para Santa Catarina de Sena como referência de liderança. Sua vida testemunha que liderar é um ato profundamente espiritual, que nasce da consciência iluminada por Deus e se concretiza em atitudes firmes, corajosas e comprometidas com o bem comum. Liderar, portanto, é reconhecer o sagrado que habita em nós e, a partir desse olhar, conduzir a comunidade. A liderança é um dom concedido a todas e deve ser exercido como serviço. Não pode ser instrumento de abuso ou imposição, mas caminho de construção coletiva. No estilo anastasiano-dominicano de ser, governança e liderança caminham juntas, sustentadas pela contemplação, pela ação e pela missão, guiadas por nosso carisma”, reflete Irmã Irenilda.

A assessora permeou, durante a formação, algumas atitudes fundamentais para que haja uma boa governança. Entre elas:

  • Atenção aos pensamentos do mundo e às realidades das pessoas;
  • Escuta atenta e partilhada da Palavra de Deus, respeitando as diferentes interpretações;
  • Sensibilidade às necessidades do mundo, ao clamor da terra e dos pobres.

O grupo refletiu também sobre o poder, compreendido como a capacidade de influenciar comportamentos e decisões. “Cada pessoa possui poder, que se manifesta nas escolhas que faz, nas decisões que toma e até naquilo que deixa de fazer. O verdadeiro poder é aquele que cuida de si mesma e da comunidade”, explica Irmã Irenilda.

Foram apresentados diferentes tipos de poder:

  • Manipulador: poder exercido sobre o outro ou sobre a situação;
  • Explorador: poder destrutivo, que fere relações;
  • Competitivo: poder contra o outro, nem sempre com intenção negativa, mas que pode gerar divisão;
  • Integrativo: poder com o outro, construindo uma visão compartilhada de futuro.

As Religiosas compreenderam que as potencialidades de cada tipo de poder estão presentes em sua caminhada, e que são chamadas a discernir continuamente qual forma estão exercendo. Por fim, destacou-se a importância da liderança em conjunto, valorizando as relações e cultivando mentes e corações abertos. O futuro da Vida Religiosa está profundamente ligado ao valor da espiritualidade. Uma governança verdadeiramente evangélica nasce da interioridade, fortalece a comunhão e projeta esperança para a missão.

Sobre os próximos passos nessa caminhada, Irmã Irenilda completa: “Pretendemos partilhar os frutos da Assembleia por meio da socialização do material formativo que receberemos, organizando momentos de estudo, reflexão e diálogo em nossas comunidades. A proposta é que cada Irmã possa compreender a riqueza do tema da Boa Governança e sua aplicação concreta na vida comunitária e missionária. Além da entrega do conteúdo, desejamos promover espaços de partilha fraterna, nos quais possamos aprofundar os principais pontos refletidos — especialmente sobre liderança, poder, autoridade e responsabilidade — à luz do carisma dominicano e anastasiano. Dessa forma, a experiência vivida na Assembleia não permanecerá apenas como informação, mas se tornará processo formativo, ajudando a Congregação a fortalecer uma liderança mais evangélica, participativa e comprometida com a Verdade”.

Irmã Maria Irenilda Gomes Pitombeira
Comunidade Recanto São Domingos – Goiânia/GO