Tempo de Fazer Memória: Capitulares embarcam em roteiro religioso na França e seguem caminhos trilhados por Anastasie
Ao longo do mês de julho de 2025, as Irmãs Capitulares tiveram oportunidades de peregrinar por lugares profundamente significativos para a história da Congregação. Foi um tempo de memória viva, de reencontro com as raízes e, sobretudo, de renovação do compromisso com a missão confiada por Deus por meio de Madre Anastasie.
Entre os dias 11 a 14, as Religiosas estiveram em Vence, na região da Provença-Alpes-Côte d’Azur, cidade conhecida por sua luz e beleza natural, que há tempos encanta artistas. Lá, visitaram a belíssima Capela do Rosário, concebida por Henri Matisse, famoso pintor francês. Após a Segunda Guerra Mundial, Matisse mudou-se para Vence para cuidar da saúde, e ali conheceu Monique Bourgeois, jovem enfermeira que cuidava dele e que, mais tarde, se tornaria Religiosa com o nome de Irmã Jacques-Marie.
Inspirado por sua fé, Matisse criou a Capela como uma obra total de arte, integrando arquitetura, vitrais, cerâmica e mobiliário litúrgico. “Com simplicidade e profundidade espiritual, os vitrais em tons de azul, verde e amarelo conduzem à luz que é Cristo. A arte ali presente nos fala do essencial, revelando, em cada detalhe, a presença de Deus”, reflete Irmã Charlimène Philippe.
Em 15 de julho, Irmã Patrícia Lopes e Irmã Charlimène visitaram a Comunidade de Bor, a convite de Irmã Regina Azevedo Soares, para rezar diante do túmulo de Madre Anastasie, como conta Irmã Charli: “Foi um momento de grande emoção estar ali, onde tudo começou. A simplicidade e a coragem de nossa fundadora ainda ecoam naquele lugar sagrado. Em oração, agradecemos sua entrega e pedimos a Deus que continue guiando a Congregação nos caminhos do amor e do serviço”.
No dia 20, o destino foi Villefranche-de-Rouergue, cidade rica em espiritualidade e patrimônio religioso. Dentre os locais visitados, destaca-se a Collégiale Notre-Dame, Igreja Gótica do século XIII, símbolo da fé e cultura da região, cujo interior, ricamente ornamentado, convida à oração.
As Religiosas também estiveram no Monastério dos Cartuxos (Chartreuse Saint-Sauveur), que abriga o maior claustro da França. A história desse lugar é marcada por fé e sacrifício: fundado por um homem que desejava alcançar a salvação, foi confiado aos Cartuxos, que posteriormente foram expulsos, durante a Revolução Francesa. Mais tarde, o espaço foi confiado às Irmãs, que cuidaram dos doentes. Hoje, é um lugar de silêncio e contemplação.
A visita foi encerrada com um marco espiritual desta peregrinação: a Chapelle des Pénitents Noirs, verdadeiro tesouro barroco escondido por trás de uma fachada simples. Seu interior, ricamente decorado, revela séculos de devoção e arte sacra.
No dia 28, as Irmãs visitaram Compeyre, na região da Occitânia, local de nascimento de Madre Anastasie. “A emoção foi intensa ao adentrarmos o quarto onde ela viveu com sua irmã Josefina. Durante um momento de oração, conduzido por Irmã Regina Azevedo, apresentamos nossas intenções e agradecimentos. Nesse ambiente de memória e oração, Irmã Regina entregou à nova Priora Geral, Irmã Aparecida de Souza, a medalha recebida de Irmã Cleonice quando foi eleita, tornando esse gesto ainda mais significativo”, destaca Irmã Charlimène.
O roteiro também inclui os caminhos que Madre Anastasie percorreu e as escolas onde estudou, formando um dia de gratidão e compromisso renovado. Em um momento fraterno, as Irmãs rezaram em várias línguas e celebraram a homenagem oficial: uma rua nomeada em sua honra — Rua Anastasie — reconhecimento merecido por sua vida e missão.
Outro ponto marcante da peregrinação foi Najac, vila medieval onde Madre Anastasie fundou uma comunidade. O local conserva a memória do Padre Gavalda, grande colaborador da fundação e pároco durante dois anos, especialmente em tempos de epidemia. Mais tarde, ele se transferiu para Bor, onde viveu até o fim de sua vida, servindo com dedicação à missão nascente.
Após o Capítulo, de 31 de julho a 2 de agosto, algumas Irmãs seguiram para Lourdes, outras para Paris, em ação de graças por todas as bênçãos recebidas. Foi um tempo de fé, silêncio e fraternidade.
As Religiosas foram acolhidas com carinho pelas comunidades locais. Em Paris, foram recebidas pelas Irmãs da Casa Geral e aproveitaram para visitar alguns pontos emblemáticos da cidade, como a Catedral de Notre-Dame, La Sainte-Chapelle, a Torre Eiffel, o Panteão e o Museu do Louvre. As Irmãs retornaram ao Brasil com o coração repleto de gratidão e renovado em esperança, como destaca Irmã Charlimène: “A peregrinação fortaleceu nosso compromisso com o carisma de Madre Anastasie, e seguimos confiantes na fidelidade de Deus, com o desejo de manter viva esta obra de amor”.
Irmã Charlimène Philippe
